sábado, 5 de dezembro de 2009

Uma benfiquista/ vitoriana no meio dos Super Dragões


What can I say... Eu sempre disse que ir à bola era acima de tudo uma experiência antropológica, principalmente quando se vê jogos do Vitória de Guimarães em que todos têm um Afonso tatuado no corpo, qual Deus qual carapuça. No Afonso Henriques já vi de tudo, derrotas, empates e vitórias, jogos contra grandes, contra pequenos, crianças de 3 anos a chorar sem parar porque o Vitória não conseguia marcar um golo, idosos a arrancarem cadeiras e a cuspirem aos árbitros e uniformemente uma massa de gente que sente o Guimarães como uma nação e vivem cada jogo como se fosse o último, não sendo raras as sessões de violência e nem falo em claques porque todos os vitorianos são claque. Ora o que eu nunca vi no Afonso Henriques foi um jogo na bancada do adversário principalmente desse famigerado grupo que eu desprezo profundamente: Os Super Dragões.

Por muito que eu goste de experiências novas, não foi por opção minha ou aliás foi por falta de outras opções. Estava com amigos do Porto e por isso toca a ir ter ao sitio onde chegavam as camionetas dos super dragões pois lá estavam os nossos bilhetes meios aldrabados e nossa garantia de entrada no estádio. Bem.... Para começar as camionetas vinham no minimo com mais 100% da lotação prevista e inteirei-me logo que passaram tão mal lá dentro na viagem que tiveram necessidade de partir os vidros por dentro para conseguirem respirar... Lá vinham eles de brinco à CR9 na orelha e sem uns quantos dentinhos essenciais a saírem a conta gotas da camioneta pois a polícia de choque fez-lhes logo ali uma revista total. Garanto-vos que não serviu de muito porque muitos vieram cá para fora de charro na boca e cerveja na mão e petardos foi coisa que não faltou durante o jogo. Também fiquei a saber que mesmo antes de saírem das Antas já tinham havido detenções por se terem pegado à porrada uns com uns outros. Explicaram-me mais tarde que isso era o aquecimento para o jogo... Então está bem... Pelo contrário quando havia um golo tudo se abraçava e beijava e garantindo que muitos deles nem se conhecem, acho que para além de ser uma atitude muito gay, deve ser a forma mais eficaz neste país de se transmitir gripe A. E lá fiquei eu quase 80 minutos... Ainda caí duas vezes da cadeira onde estava de pé, uma por medo de um petardo outra arrastada pela massa de gente que fugia da polícia de choque. Sim, porque quando marcaram o terceiro golo lançaram tantos petardos e tantas cadeiras que a polícia teve de intervir e ainda vi um miudito, não tinha mais de 6 anos, ser carregado em ombros a sangrar pelo seu equipamento do Porto acima. No fim ainda conseguiram invadir o estádio e não contentes com os 4 golos ainda perseguiram os próprios jogadores para lhes arrancarem as camisolas... Sei que as outras claques não são muito diferentes, mas eu nunca tinha estado no meio de uma a cantar a plenos pulmões o hino do Vitória distorcido de forma ofensiva. Aliás, enquanto na rua a caminhar para o estádio escoltados pela polícia, bastava aparecer uma velhinha à janela para a insultarem de p*** para cima. Animais? Sim. Mas também compreende-se, afinal o líder deles é um Macaco.